sábado, 10 de dezembro de 2011


Quando se é dotada de uma alma terna e compadecida, as mãos abrem-se, por si, e o coração também. E se algumas vezes as mãos estão vazias, o coração, se é inesgotável e pode dar sempre coisas belas, boas e doces: consolações, conforto, alegria - e a alegria é, muitas vezes, o mais eficaz de todos os dons.

[Frances Hodgson Burnett - A Princesinha]
Não adianta ter ao alcance da visão a frase mais impactante do mundo, se no instante seguinte se perde em meio aos pensamentos.  A visão já foi dada, a revelação, cabe ao “recebedor” usar ou descartar. Ao ver, ao ouvir, aquilo que foi expresso por meio de comunicação pode ou não surtir efeito, ou até mesmo ser um efeito momentâneo, porém ideais passageiros não causam revolução. Revolucionar não se refere apenas a guerras e batalhas externas, por ideais políticos, sociais... Revolução também é uma guerra interna, onde o campo de batalha é o ser contra ele mesmo, as armas serão de escolha própria, quem lutará ao lado também, mas a guerra interna, essa só é vencida depois de muita luta, muita batalha. Nesse processo muitas guerras serão perdidas, mas não desistir após a derrota já é uma revolução. Revolução é mudar, virar do avesso o que não é bom, ou eliminar o que não satisfaz.
Muitos serão os momentos em que tudo perderá o sentido. O coração vai sangrar, a mente vai se fechar, mas é preciso continuar. É de extrema importância desatar os nós e começar a “enlaçar” criar laços com a nova direção.  Um erro que levará a qualquer derrota é o de entrar nesse confronto com armaduras. Sangrar é o caminho que leva a cura, que leva a vitória e traz o ecoar das palavras: eu venci!
É necessário governar a mente, filtrar, e manter ligação entre pensamento e coração. O extremo “racional x sentimento” não precisam guerrear, na verdade não precisam ser extremos, não é necessário que exista , pode caminhar lado a lado, de um lado um copo cheio de razões, do outro, doses de sentimento. Não apenas emoção, não apenas razão e sim a junção.
Guardar reservas, mesmo que seja de conhecimento, são fundamentais para o equilíbrio. Não se arruma mala vazia... É indispensável ter no que mexer, ter o que mudar e reconhecer que é chegada à hora de mudar. Quem acredita que todo o dia o céu vai ser azul? – Não vai ser, no entanto é nos combates, nos dias de céu cinza que existe a chance de fortificar-se das fraquezas.

[ Renata Alves ]

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Ame. Dar-lhe o perdão.


 Amar e, além disso, encontrar espaço no tempo para perdoar; Se amor e perdão estão no mesmo barco... Será essa a razão de tanto naufrágio, ou seria o oposto, a falta de perdão que têm afundado tantos barcos mundo a fora?
Sabe uma verdade, não existe bom que esteja inaccessível ao mal. Se não há lugar ao perdão dentro do amor. Ele firma suas raízes em um solo doente. Pronto a findar.
Toda criança já quis meter o dedo na vasilha de doce, na comida em cima do fogão, a criança cresce um pouquinho e entende que aquilo é uma tremenda porcaria, mas adorava fazer, e ainda assim muitos continuam.
Crescemos, os níveis de relacionamento mudam, embora saibamos que não devemos descontar nas pessoas as frustrações, prosseguimos levando ao mundo as amarguras de um coração rasgado de feridas. Impuro, avesso ao perdão. Quando dizem que o oposto do amor é o ódio não deixa de ser verdade.
Amor mal cuidado, é aquela arvore plantada no solo doente, cresce, mas se abate com o tempo, secando ao sol, brigando com a chuva que adentra feito faca a cortar. Coração ocupado de rancor é espaço impróprio para habitar o amor. Possessão desenfreada, vira acumulo de vidas a entrar e sair, aumentando ainda mais a ferida ainda aberta. Abra espaço ao perdão, só assim o amor pode dar seus bons frutos.

[Renata Alves]